Em 2020 eu peguei emprestado um Edge 130 e coloquei do lado do meu 530 pra responder uma pergunta que chegava toda semana: vale pagar o dobro? A resposta daquele vídeo continua valendo, e a linha da Garmin mudou inteira desde então. Hoje eu uso o Edge 850 e o Edge MTB, tenho o 1040 Solar na gaveta, e os dois novos chegaram lacrados pela VB GPS, do Ademir, que é de onde vem quase todo Garmin que já passou por aqui. Então vamos refazer a conta com os aparelhos de 2026.
Aviso de saída, pra ser honesto como sempre: o 1050 e o 540 eu não testei. O que eu digo sobre eles vem da ficha oficial da Garmin e do que eu conheço do 1040 e do 530, que são os pais deles. O 850 e o Edge MTB estão na minha bike.
Como a Garmin organiza a família
São três séries, e a numeração conta a história. A série 500 é o aparelho menor, só com botões. A série 800 tem o mesmo tamanho e ganha a tela sensível ao toque. A série 1000 é o grandão, também com toque. E a Garmin lança sempre nessa ordem: primeiro o 1000, um ou dois anos depois o 800 e o 500. O 1030 veio em 2017, o 530 e o 830 em 2019. O 1040 em 2022, o 540 e o 840 em 2023. O 1050 em junho de 2024, e aí a Garmin quebrou o ritmo: em junho de 2025 veio o Edge MTB, o primeiro feito só pra mountain bike, e em setembro de 2025 o 550 e o 850.
O resultado é que hoje coexistem duas gerações à venda: a linha 40 (540, 840, 1040, ainda com opção solar) e a linha 50 (550, 850, 1050, mais o Edge MTB). E a diferença entre as duas gerações é uma só, mas muda tudo: a tela.
A tela nova que come bateria
O 1050 estreou uma tela muito mais brilhante, que se lê no sol forte sem esforço, e o 850 e o 550 herdaram. Na minha mesa, com o brilho a 100% nos dois, o 850 e o Edge MTB parecem iguais (só a paleta de cor muda um pouco). É a melhor tela que eu já vi num ciclocomputador. Só que ela cobra a conta: a linha 50 tem bateria menor que a linha 40, e não existe versão solar dela. O meu 1040 tem duas placas solares no topo da tela; o 1050 não tem nenhuma.
Os números da ficha deixam isso claro. O 840 declara 26 horas no uso pesado e 42 no modo econômico. O 850, que é o sucessor, declara 12 e 36. O 1050, 20 e 60. A Garmin resolveu isso com uma bateria externa: atrás do 850 tem dois pinos de contato pra ela, e o suporte que vem na caixa já tem onde apoiá-la. O Edge MTB não tem os pinos, e faz sentido: não é aparelho de pedal de 12 horas.
Botão, toque, ou os dois
Aqui está o motivo de eu considerar o 850 o melhor Garmin, mesmo tendo um mais caro em cima dele. O 1050 é quase só toque: tem liga e desliga, play e pause, volta e parar, e acabou. O 550 e o Edge MTB são só botão, sete botões cada. O 850 tem a tela de toque e os mesmos sete botões.
Na prática, o toque é muito mais rápido. Pra abrir a bússola, o histórico ou o tempo, eu dou um toque no bloco e pronto. No Edge MTB, que eu também uso, eu navego com o botão até chegar na opção e depois confirmo, e são vários cliques. Mas com luva encharcada, lama ou chuva, muita gente não confia no toque, e aí os botões do 850 te salvam. O 1050 não te dá essa saída. E tem um detalhe de tamanho: o Edge MTB é tão pequeno que quando eu vou apertar um botão lateral, o dedo de apoio esbarra no play ou no voltar do outro lado. No 850, que é um pouco maior que o 840, a mão tem onde segurar.
As três coisas que só os grandes fazem
Tirando tela e botão, as séries fazem praticamente o mesmo: mapa com nome de rua, rota curva a curva, recálculo, ClimbPro, treino estruturado, Varia, detecção de queda, LiveTrack. O que separa o 850 e o 1050 do resto são três funções, e nenhuma é vital.
A primeira é a busca: pesquisar uma rua na tela e navegar até lá, como no aplicativo de mapa do celular. Só o 850 e o 1050 fazem isso. Os outros seguem rota que você carregou. A segunda é o alto-falante com a campainha: no 850 você toca na tela e ele toca um sino alto pra avisar o pedestre, e dá pra configurar o botão extra do Ultegra, do Dura-Ace ou do Red pra acionar. O 550 não tem. A terceira é o Garmin Pay, pra pagar o café no aparelho. Se você vive sem essas três, o 550 é o 850 com botões e uma boa economia.
O Edge MTB é outra conversa
Ele é o Garmin mais diferentão que eu já vi. É pequeno, uns 57 gramas, tela de 2,4 polegadas com Gorilla Glass, sete botões de borracha que aguentam lama, e vem na caixa com um suporte de top tube, pra tirar o aparelho do cockpit e não quebrar o joelho nele. A novidade que importa: ele grava a 5 Hz na descida, cinco pontos de GPS por segundo em vez de um, o que deixa a curva rápida do enduro e do downhill desenhada certa. Tem perfis de enduro e downhill prontos, timing gates pra cronometrar trecho e comparar linha, e o Forksight, que na bifurcação mostra o nome e a dificuldade de cada trilha do Trailforks.
Em troca, ele não tem Wi-Fi, não tem toque e a bateria é de 14 horas no uso pesado. Se você só faz mountain bike, é o Garmin que faz mais sentido. Se você alterna com estrada ou gravel, o 850 cobre tudo.
| Edge | Série | Tela | Toque | Botões | Bateria | Peso | Wi-Fi | Busca de rua | Testei? |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 540 | 500, linha 40 | 2,6" | não | sim | 26 h (42 eco) | 80 g | não | não | o 530 |
| 840 | 800, linha 40 | 2,6" | sim | sim | 26 h (42 eco) | 85 g | sim | não | o 830 |
| Edge MTB | MTB, linha 50 | 2,4" | não | sim | 14 h (26 eco) | 57 g | não | não | sim |
| 850 | 800, linha 50 | 2,7" | sim | sim | 12 h (36 eco) | 113 g | sim | sim | sim |
| 1050 | 1000, linha 50 | 3,5" | sim | quase nenhum | 20 h (60 eco) | 161 g | sim | sim | o 1040 |
Ficha conferida em 04/09/2026 no manual de especificações da Garmin e nos comunicados de lançamento. Peso do 540, do 1050 e do Edge MTB vem do DC Rainmaker, porque a Garmin não publica o número em página fixa. Bateria é a hora declarada.
Qual eu escolheria
A lógica é a mesma de 2020: não é "qual é o melhor", é "quanto do que o maior faz você realmente usa". Quem pedala em lugar conhecido, segue rota de amigo e treina com planilha, o 540 faz tudo isso com 26 horas de bateria e é o mais barato da lista. Perde o toque e o Wi-Fi, e o Wi-Fi faz menos falta do que parece, porque o pedal sobe pelo celular do mesmo jeito.
Quem quer o toque sem abrir mão do botão, e quer a tela nova, o 850 é o meu. É o que eu escolho, e o motivo cabe numa frase: tem os dois jeitos de mexer. Quem quer a tela grande de 3,5 polegadas pra ler mapa sem óculos, e não se importa de viver só no toque, o 1050 é o único que entrega isso, com o dobro do peso do 850. E quem só faz trilha, Edge MTB, sem pensar duas vezes.
Todos esses estão no comparador de ciclocomputadores, inclusive contra a Wahoo e o Karoo, com a ficha oficial de cada um. E os vídeos do 850 e do Edge MTB estão no canal, com a caixa aberta e os dois lado a lado. Dá o play aí em cima.
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