
O Brasil tem agora um Campeonato Brasileiro de Gravel oficial, e quem inaugurou o título foi Henrique Avancini. No domingo, 5 de julho, a cidade de Rio Acima, em Minas Gerais, recebeu a primeira edição da prova organizada pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), na Serra do Gandarela, um dos mais relevantes patrimônios naturais do estado. Não foi uma estreia tímida: o percurso principal tinha 96 km e cerca de 3 mil metros de altimetria acumulada, o tipo de traçado que separa quem só pedala gravel de quem realmente compete nele.
Avancini, correndo pela Localiza Meoo-Swift Pro Cycling, cruzou a linha de chegada na elite masculina em 3h36min40s, com uma vantagem de quase dez minutos sobre Sherman Trezza, segundo colocado com 3h46min14s. O pódio foi fechado pelo catarinense André Gohr, da Taubaté Cycling Team, em 4h08min09s, num resultado que merece destaque à parte: Gohr sofreu uma queda severa durante a prova e ainda assim terminou entre os três primeiros. Na elite feminina, a vitória ficou com Flavia Oliveira, que completou o percurso em 4h34min18s, seguida por Isabela Lacerda (4h52min29s) e Ana Laura Oliveira Moraes (5h10min12s).
A prova fez parte de um festival esportivo maior, organizado pela Avelar Sports, que reuniu mais de mil atletas entre o Campeonato Brasileiro de Gravel, a Maratona Estrada Real, a Night Run Estrada Real e o Desafio Sense Grom. A elite, porém, contou com campo enxuto: 11 atletas no percurso longo, cinco no masculino e seis no feminino. Isso não diminui a prova, mas mostra que o calendário oficial de gravel no Brasil ainda está em formação, diferente do que já acontece nos Estados Unidos e na Europa, onde o gravel tem circuitos consolidados e campos de centenas de competidores no nível elite.
O que torna este resultado mais do que uma vitória de Avancini é o que ele representa para o esporte no país. O gravel vem crescendo de forma consistente no Brasil nos últimos anos, tanto em número de praticantes quanto em oferta de bikes e componentes específicos para a modalidade. A CBC oficializar um Campeonato Brasileiro é o reconhecimento institucional de que essa modalidade não é mais nicho, é categoria. E ter Avancini como primeiro campeão dá visibilidade imediata ao título, já que ele é o nome mais reconhecido do ciclismo off-road brasileiro internacionalmente.
Do ponto de vista esportivo, fica a curiosidade sobre como este campeonato vai evoluir nas próximas edições. Um campo de cinco atletas na elite masculina é um começo, e o formato festival ajuda a construir público e cultura em torno da prova. A Serra do Gandarela entregou o cenário, o percurso foi honesto e o resultado foi limpo. Agora é ver se o campeonato ganha corpo e se torna referência no calendário nacional, como deveria ser.
Deixe seu comentário
carregando comentários…
