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iGPSPORT iGS620: o review completo, o truque do pause e o que ele virou em 2026

Em junho de 2021 chegou aqui um iGS620 emprestado pela Monteiro Eletrônicos, sem patrocínio e com prazo de devolução, e eu me peguei olhando duas vezes pra ter certeza de que não era o iGS618 que eu já tinha mostrado três vezes no canal (o 618 é o mesmo aparelho do Atrio Titanium). Por fora, igual. Por dentro, ele resolvia os dois problemas que o 618 tinha. Seis meses depois, já em parceria com a Lobão Bikes, uma atualização de firmware trouxe o que faltava pra eu recomendar sem ressalva. Este texto junta os dois vídeos, com um aviso na frente: em setembro de 2026 o iGS620 não está mais à venda na Lobão. Quem tem, continua bem servido. Quem está procurando, eu digo no fim o que comprar no lugar.

O que o 620 consertou no 618

Duas coisas. A primeira era memória: o 618 obrigava a escolher um pedaço do mapa do Brasil pra caber dentro. O 620 tem 4 GB, e o mapa do Brasil inteiro tem 227 MB; eu coloquei o Brasil sem tirar os três ou quatro países que já vinham dentro. Sobra espaço pra rota, treino e anos de histórico. A segunda era a rotação do mapa: no 618, quando você virava a bike o mapa ficava parado, e tinha hora que parecia que você estava indo pra trás. No 620 o mapa gira com você, ou aponta pro norte, como preferir.

E ele ganhou Wi-Fi, que nenhum iGPSPORT tinha até então. Chegou em casa, ele reconhece a rede e manda o pedal pro Strava e pro TrainingPeaks sozinho, e a atualização de firmware entra sem cabo. Com o celular pareado por Bluetooth, vieram o clima na tela, as notificações de chamada e mensagem (ele tocou durante a gravação, e eu atendi na tela dele), e o Live Track, que manda o link do seu trajeto em tempo real pra quem você quiser. Clima e Live Track precisam do celular com internet no bolso; o resto, não.

O básico e a navegação

Tela colorida de 2,2 polegadas e três botões, com a função de cada um escrita na tela, o que faz a navegação por menu ser mais simples do que parece. Mais de 80 campos de dados. Full GNSS: GPS, Galileo, GLONASS e BeiDou, e dá pra escolher quais usar; eu sempre rodei GPS e GLONASS juntos. Altímetro barométrico. Pareia sensor por ANT+ e por Bluetooth, inclusive medidor de potência, coisa que marca grande da época não fazia no aparelho de entrada. Fala com câmbio eletrônico: no meu SRAM AXS ele mostrava a marcha da frente e de trás e a bateria de cada câmbio, e eu deixei esse campo fixo na tela.

Na navegação, mapa completo e gratuito, baixado no site da iGPSPORT e copiado pra pasta do aparelho pelo cabo, do mesmo jeito que eu ensinei pro Atrio. Rota importada em GPX, FIT ou TCX, pelo app, que ficou bem mais prático que na geração anterior. Serve pra seguir o traçado da prova que a organização mandou, o pedal do amigo baixado do Strava, ou a rota que o cicloviajante desenhou em casa.

A atualização que trouxe o treino estruturado

No vídeo de lançamento eu fui claro: o 620 mandava o treino pro TrainingPeaks, mas não recebia nada de volta, e quem treina com planilha precisava disso. Em dezembro de 2021 saiu o firmware, e o aparelho ficou completo nos três grupos que eu uso pra avaliar ciclocomputador: básico, navegação e treino. Se o seu 620 não tem essa função, é atualização pendente.

O caminho é pelo app da iGPSPORT, que é o centro de tudo. Primeiro, em autorização de aplicativos, você liga a conta do TrainingPeaks (e a do Strava, já que está lá). Depois, na tela do aparelho conectado, existe o curso de treinamento com três portas: as sugestões da própria iGPSPORT (um teste de lactato, um treino de intervalo), o treino baixado do TrainingPeaks, que já aparece com o que o treinador marcou pra o dia, e o personalizado, em que você mesmo monta aquecimento, blocos, faixas e desaquecimento. Em qualquer uma das três, um toque no canto envia pro aparelho por Bluetooth. No 620, o treino fica na memória, embaixo das atividades, e ao abrir ele mostra a faixa alvo (por potência ou por frequência cardíaca, conforme veio), a linha de onde você está, o gráfico das fases e dois campos configuráveis embaixo.

Outra coisa que eu não esperava e que o Garmin da época não fazia: configurar as telas pelo celular. No meio do pedal eu percebi que a tela não mostrava o que eu queria, saquei o celular, mexi no app, salvei, e a tela do aparelho já estava trocada. É mais rápido que fazer no próprio aparelho, mesmo num Garmin com toque.

O que virou em 2026

A linha andou: o 620 deu lugar ao iGS630, que ganhou a versão 630S com duas bandas de GNSS e iClimb Pro, e depois veio o iGS800 como topo. Em setembro de 2026 a Lobão não lista mais o 620. Se você tem um, ele continua fazendo tudo que está aqui, e os mapas continuam gratuitos no site da marca. Se você está procurando o mesmo tipo de aparelho pelo mesmo tipo de preço, o equivalente hoje é o BSC500 (tela maior, toque, duas bandas) ou o iGS630S (45 horas de bateria, a mesma pegada de botão), e eu comparo os dois com o resto da linha no guia da linha iGPSPORT e no comparador.

O que o 620 deixou de lição continua valendo pra marca inteira: o software melhora por atualização, a tradução tem escorregão, e o app faz mais do que o aparelho deixa ver. Os dois vídeos estão aí em cima, o de lançamento e o do treino na trilha com o Ian me dando surra na subida. Se você ainda pedala com um 620, conta nos comentários o que ele ainda faz por você.

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