Eu tava devendo esse vídeo há um bom tempo. O iGS800 chegou aqui pela Lobão Bikes, que é a importadora oficial da iGPSPORT no Brasil, com o combinado de sempre: eles mandam, eu uso, e se eu achar que vale a pena falar, eu falo. Não é vídeo patrocinado. E o aparelho ficou meses na minha bike antes de eu sentar pra gravar, porque a pergunta que eu queria responder não se responde numa semana: será que um ciclocomputador chinês, desenhado na China, consegue bater de frente com os gigantes?
Esse texto segue a mesma ordem que eu uso pra avaliar qualquer ciclocomputador, os cinco eixos do guia: o básico que você sente antes de ligar, a navegação, o treino, a segurança e a conexão. E no fim eu digo o que eu não gostei, porque nem tudo são flores.
O básico: o que você sente antes de ligar
Ao tirar da caixa, a primeira coisa que chama a atenção é a tela. São 3,5 polegadas coloridas, com resolução de 320 por 480, e o que mais me impressionou foi o aproveitamento: coloquei lado a lado com outro aparelho de tela do mesmo tamanho e sobrava carcaça na frente e embaixo do outro. O iGS800 é quase só tela. O corpo tem 99 por 60 milímetros e 21 de espessura, e pesa 110 gramas. Não é o mais leve da marca, mas pra tudo que ele carrega dentro eu acho leve, até porque a carcaça é robusta de verdade: o fundo é metálico, com um acabamento que parece carbono, e o aparelho na mão passa a sensação de produto de primeira linha.
A bateria é o grande argumento dele. São 2.050 mAh, e a marca promete mais de 50 horas de uso contínuo. Claro que a conta oficial é com coisa desligada, e eu explico isso no capítulo de bateria do guia. Mas na prática, mesmo com tudo ligado, eu nunca fiquei na mão. Quem treina umas 10 horas por semana passa um mês sem lembrar do carregador. E quando lembra, o conector é USB-C e a carga completa leva uma hora e meia: o cafezinho antes do pedal já rende um bom pedaço de bateria.
É IPX7, então chuva não é problema. E aqui a iGPSPORT resolveu uma birra antiga de muita gente com aparelho sensível ao toque: o iGS800 tem a tela de toque e tem seis botões físicos. Você pode usar um, o outro, ou bloquear o toque no meio da chuva e da lama e seguir só no botão. Eu uso os dois, porque arrastar o mapa e dar zoom com o movimento de pinça é muito mais rápido que qualquer botão.
Dentro dele tem 32 GB de memória, o que sobra pra mapa do Brasil inteiro (cabe o mundo), rotas, treinos estruturados e o histórico de anos sem precisar apagar nada. Tem barômetro pra altimetria mais precisa, acelerômetro pra pausa automática, e sensor de luz que ajusta o brilho e entra no modo noturno. E tem o item do eixo 1 que mais separa topo de linha de aparelho de entrada: Full GNSS com duas bandas, L1 e L5. Ele fala com GPS, GLONASS, Galileo, BeiDou e QZSS ao mesmo tempo, pega sinal rápido e segura o posicionamento em mata fechada e entre prédios.
Navegação: mapa de verdade, curva a curva, sem celular
Muita gente ainda confunde três coisas que a ficha chama de navegação. Tem aparelho que só mostra uma setinha na hora de virar. Tem aparelho que desenha a linha do percurso numa tela vazia. E tem navegação plena, que é o que o iGS800 tem: mapa completo, offline, com aviso curva a curva e recálculo quando você erra.
O mapa mostra rua com nome, mata, lagoa, linha férrea, o parque perto da minha casa com o lago dentro. Você importa a rota do Strava ou de qualquer app que desenhe percurso, em GPX ou TCX, e ela chega pelo Wi-Fi. Errou o caminho? Primeiro ele manda voltar. Insistiu no erro? Ele recalcula uma rota nova, mais perto de onde você tá, pra chegar no mesmo ponto. E quando você quer voltar pro início, ele pergunta se é pelo mesmo caminho ou pelo mais rápido. Dá pra marcar ponto de interesse no meio do pedal, um lugar de hidratação, por exemplo, e ele lembra na próxima vez. Tudo isso sem celular, sem internet, com o mapa dentro do aparelho.
O iClimb Pro é o recurso de subida, aquele que só topo de linha costuma ter: ele identifica as subidas da rota, mostra quanto falta, a inclinação média e o gráfico de cada trecho. Funciona bem demais. E é uma versão melhorada do que o iGS630S já tinha.
Treino: aqui ele vira ferramenta séria
Pra quem pedala por lazer, esse eixo não pesa. Pra quem treina, o iGS800 tem muita coisa. Ele calcula TSS, IF e potência normalizada, mostra cadência, frequência cardíaca e potência com clareza, e controla rolo de treino inteligente, inclusive a resistência, conversando com aplicativo tipo Zwift.
O treino estruturado é completo: você importa do TrainingPeaks, cria no app da iGPSPORT ou monta no próprio aparelho, com aquecimento, blocos, meta de potência, intervalo de recuperação e quantas repetições quiser. Durante o treino ele avisa, no som e na tela, se você tá na zona alvo. E a sincronização é automática: chegou em casa, o Wi-Fi já mandou o pedal pro Strava e pro TrainingPeaks antes de você tirar o capacete.
Tem segmento ao vivo, que eu acho a função mais divertida de um ciclocomputador: você contra você mesmo, em tempo real, naquela ladeira que você já subiu dez vezes. Só que aqui vem o primeiro porém, e eu volto nele no fim.
E tem a camada que eu chamo de condicionamento físico, que é a geração mais nova de recurso: VO2 máximo estimado, carga de treino, status de recuperação, efeito do treino, e a estamina, que é o seu tanque de combustível na tela, mais precisa quando tem medidor de potência e cinta ligados. Ele dá alerta de hidratação e de alimentação, calcula caloria e ainda propõe mostrar quanto da sua energia veio de carboidrato e quanto veio de gordura. Se você acredita nesse número, fica a seu critério; ele mostra. Na tela inicial, num toque, aparece a tendência de carga dos últimos sete dias, o gráfico de aptidão, a relação peso por potência (a minha tá fraquinha) e onde você está em relação a outros atletas.
Só um aviso honesto: interpretar tudo isso sozinho não é simples. Se você quer performar de verdade, o ideal é um treinador lendo esses dados. Mas se você não pode pagar treinador e pode pagar o aparelho, ele te dá uma noção muito boa de como a sua evolução está indo.
Segurança e conexão: ele fala com quase tudo
Bluetooth 5.1, ANT+ e Wi-Fi. Pareia com sensor de frequência cardíaca, cadência, velocidade, potência, com o radar da própria iGPSPORT que eu uso na bike, com luz inteligente, com câmbio eletrônico Di2, eTap e EPS. Tem rastreio em tempo real, notificação de chamada e mensagem, pausa e volta automáticas, mais de 150 campos de dados, 10 por tela, e interface em português.
O Wi-Fi faz mais diferença do que parece. Não é só subir o treino sozinho: é baixar mapa e atualizar firmware sem depender do celular nem de computador. E o app da iGPSPORT, pra ser bem claro, é um dos melhores que eu já usei. Não é o melhor, mas está no grupo de cima. O da Garmin eu nunca gostei, ainda que tenha melhorado; o da Lezyne era muito bom; o da Bryton tem vantagens sobre o da Garmin. O da iGPSPORT é sensacional.
A ressalva do eixo de conexão é a e-bike. A ficha diz que conecta, e o chip está lá, mas no meu teste ele não pareou com o Shimano STEPS. Não testei Bosch, Brose nem motor chinês. Se fosse pra apostar, eu apostaria que fecha com quem usa o protocolo ANT+ LEV, como a Specialized, e que o STEPS pode vir por atualização. Mas hoje, na minha bike, não conectou.
O que eu não gostei
São quatro coisas, e eu repito que nenhuma delas faz dele um aparelho ruim: é que existe melhor no mercado, e todos custam mais.
A tradução tem escorregões, no aparelho e no app. Menu confuso aqui, palavra mal traduzida ali. A iGPSPORT dá muito valor ao Brasil (quando eu comecei essa relação, antes da Lobão, eu conversava com uma chinesa por WhatsApp e a resposta chegava de madrugada por causa do fuso), mas os errinhos estão lá.
O zoom do mapa para em 50 metros. Outros topos de linha chegam a 5. O mapa é bom, a navegação é boa, mas não é o suprassumo.
O iClimb Pro só aparece com rota carregada. Se você sai pedalando sem rota e cai numa subida, ele não mostra nada. Aparelho concorrente já avisa a subida em pedal livre.
E o segmento ao vivo não puxa do Strava. É só o segmento criado dentro da plataforma da iGPSPORT. Pra muita gente isso pesa, porque o Strava é onde os segmentos vivem.
Vale a pena?
Eu não costumo falar preço porque ele muda, mas fiz a conta: um aparelho equivalente das outras marcas custa quase o dobro. E pelo que custa, o iGS800 entrega muito. Tela grande e nítida, bateria que some do seu pensamento, navegação satisfatória com mapa de verdade, treino avançado e um app que faz tudo sozinho. Pra quem quer algo muito próximo do topo sem gastar o dinheiro do topo, custo-benefício, com sinceridade, é o melhor que eu testei.
Quer ver o iGS800 contra o que a Garmin tem na mesma faixa de tamanho? Coloquei os dois lado a lado no comparador de ciclocomputadores, com a ficha oficial de cada um. E dá o play no vídeo aí em cima, que eu mostro tudo isso na tela do aparelho.
| Ficha oficial | iGS800 |
|---|---|
| Tela | 3,5 pol., colorida, toque e 6 botões |
| Bateria | 2.050 mAh, mais de 50 h, carga em 1h30 (USB-C) |
| Peso e tamanho | 110 g, 99 x 60 x 21 mm |
| GNSS | Full GNSS, duas bandas (L1 + L5) |
| Memória | 32 GB |
| Rádios | Bluetooth, ANT+, Wi-Fi |
| Resistência | IPX7 |
Ficha conferida no site da iGPSPORT em 04/09/2026; uso e medições no vídeo do canal, de agosto de 2025.
Onde comprar com segurança: a iGPSPORT que eu confio no Brasil vem da Lobão Bikes, importadora oficial, com nota fiscal e garantia de verdade. Chama no WhatsApp deles e pede o desconto de quem assistiu Pedalando Junto, o cupom PJ5.
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