La Thuile recebe XCO pela primeira vez e pode ser decisiva na briga pelos títulos da Copa do Mundo 2026

La Thuile já aparecia no calendário da Copa do Mundo desde 2025, mas só para Enduro e Downhill. Neste fim de semana, a cidade italiana do Vale d'Aosta, encravada nos Alpes a 1.450 metros de altitude na fronteira com a França, estreia também como palco de Cross Country Olímpico (XCO) e Short Track (XCC), tornando-se a segunda etapa da temporada a reunir as quatro disciplinas da UCI Mountain Bike World Series num só lugar. Com a temporada se aproximando da metade, as classificações gerais seguem abertas nas quatro modalidades, o que coloca peso extra em cada resultado daqui pra frente.
Malacarne, Ulan, Raiza e Karen são os atletas mais bem classificados no ranking olímpico e estão na Europa em busca de mais pontos, o que pode nos garantir 2 vagas masculinas e 2 feminina.
O circuito de XCO tem 3,42 km por volta e mistura trechos de bike park com seções de terreno bruto e técnico, combinação que tende a favorecer atletas completos, que pedalam bem tanto nas descidas rápidas quanto nas subidas longas e naturais que a altitude do local impõe. O circuito de XCC, com 714 metros, tem uma curva fechada logo após a largada, uma subida explosiva e cotovelos nas descidas, o tipo de traçado que costuma criar confusão nas primeiras voltas e punir quem não sai bem posicionado.
Entre os homens, o francês Luca Martin, da Cannondale Factory Racing, chega como líder do ranking e favorito natural. Em sua segunda temporada na elite, Martin venceu a etapa anterior de XCO e ainda não saiu de nenhuma prova da modalidade em 2026 sem subir ao pódio, uma consistência que, a esta altura da temporada, pesa muito na classificação geral. O compatriota Adrien Boichis, da Specialized Factory Racing, o campeão mundial Alan Hatherly, da Giant Factory, e o norte-americano Christopher Blevins, também da Specialized, aparecem como os principais nomes a tentar quebrar essa sequência. Blevins retorna ao ritmo de competição após voltar às provas há duas semanas, em Lenzerheide, então ainda é difícil saber em que patamar ele chega à Itália.
No feminino, Jenny Rissveds vive um momento raro de consistência. A sueca da Canyon XC Racing, campeã olímpica em 2016 no Rio, soma mais de um ano consecutivo terminando no top 3 da Copa do Mundo de XCO e venceu as duas etapas mais recentes da temporada. Uma vitória em La Thuile seria a décima da carreira no circuito, o que a aproximaria de Loana Lecomte, da BMC Factory Racing, na lista das maiores vencedoras da história da modalidade. As únicas a terem superado Rissveds em etapas nesta temporada foram Sina Frei e Laura Stigger, ambas da Specialized Factory Racing, e elas voltam a ser as principais candidatas a interromper a sequência da sueca.
Dois retornos chamam atenção no Short Track. A britânica Evie Richards e o francês Victor Koretzky voltam ao XCC após período fora por lesão, o que adiciona uma variável interessante nas contas de quem briga pela classificação geral. Retornos desse tipo raramente chegam no pico, mas atletas do nível dos dois têm capacidade de surpreender mesmo sem ritmo completo de competição.
Para quem acompanha a Copa do Mundo de perto, La Thuile representa um passo na direção de concentrar mais disciplinas numa mesma etapa, o que facilita a cobertura, aumenta o espetáculo para o público local e tende a atrair patrocinadores maiores para o evento. A UCI vem testando esse formato em alguns locais do calendário, e a Itália, com sua tradição no ciclismo e infraestrutura de bike park nos Alpes, é um cenário natural para isso.
Os resultados, ranking, posição dos nossos brasileiros e o ranking olímpico será atualizado após a prova aqui no site Pedalando Junto.
Deixe seu comentário
carregando comentários…
