
Tim Merlier cruzou a linha de chegada em Bordeaux na sexta-feira, 10 de julho, para vencer a sétima etapa do Tour de France 2026 num sprint de pelotão. O belga da Soudal Quick-Step chegou à cidade com força suficiente para superar Søren Wærenskjold (Uno-X Mobility) e Biniam Girmay, que completaram o pódio. Do outro lado da história, Jasper Philipsen, dez vezes vencedor de etapa no Tour, terminou em quinto lugar e foi flagrado jogando o capacete no chão em sinal de raiva, numa cena que resumiu bem o momento delicado que o belga da Alpecin-PremierTech atravessa na corrida.
Como Merlier ganhou onde Philipsen parecia favorito
A Alpecin-PremierTech fez quase tudo certo na chegada. A equipe montou um trem de lançamento à moda antiga, com Mathieu van der Poel entregando Philipsen em boa posição dentro do quilômetro final. O problema foi o timing: Philipsen abriu o sprint com cerca de 240 metros para a linha, provavelmente cedo demais, e em vez de segurar o esforço até o fim foi ultrapassado quase imediatamente por Wærenskjold. Merlier veio por cima do norueguês e fechou a etapa com autoridade, deixando claro que estava num nível diferente naquele dia.
A Soudal Quick-Step, por sua vez, executou um plano alternativo com precisão. Jasper Stuyven, novo homem de lançamento da equipe, relatou que a equipe nunca sentiu que estava em apuros durante a chegada, o que diz muito sobre a confiança que depositaram em Merlier. Com 33 anos, o velocista belga deu uma resposta de maturidade: chegou ao sprint mais fresco, esperou o momento certo e foi mais rápido que todos.
Philipsen: dez vitórias no currículo, mas a forma ainda não voltou
O episódio do capacete jogado fora do ônibus da equipe não foi uma birra isolada. É o sinal mais visível de uma pressão que vem crescendo sobre Philipsen desde o começo desta edição do Tour. Ele chegou à corrida com cinco vitórias no ano e a expectativa de brigar pelo maillot verde, como fez em 2023, quando ganhou quatro etapas, liderou a classificação por pontos do quarto estágio até o fim e terminou com mais de 100 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.
Desde então a produção caiu: três etapas em 2024, uma em 2025, quando ainda teve que abandonar por fratura na clavícula. Agora, em 2026, ele tem 28 anos e tecnicamente está no auge da carreira para um velocista, mas os resultados neste Tour ainda não refletem isso. Depois da etapa, ele admitiu que não consegue fazer o que fazia antes e que isso simplesmente não foi suficiente. A frustração, ele disse, faz parte do esporte, mas claramente dói.
O que muda daqui pra frente na briga pelo verde
Com duas etapas de sprint disputadas e dois vencedores diferentes, o Tour de 2026 ainda não revelou um velocista dominante. Merlier soma agora quatro vitórias de etapa em três participações no Tour, o que é um número expressivo e coloca a Soudal Quick-Step numa posição confortável para a briga pelo maillot verde. Philipsen, com as oportunidades de sprint se estreitando a cada etapa que passa, precisa encontrar a forma rapidamente, senão o verde pode escapar de vez.
Na classificação geral, Tadej Pogacar manteve a liderança com 2 minutos e 42 segundos sobre Jonas Vingegaard, o que indica que a corrida pelos escaladores ainda está só começando. Para os brasileiros que acompanham a prova, vale notar que Biniam Girmay, terceiro em Bordeaux, segue como nome a observar nas chegadas planas que ainda restam.
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