
A etapa de Andorra da Copa do Mundo de MTB cross-country entregou duas histórias distintas no Short Track de 2026: Bjorn Riley, norte-americano, subiu ao degrau mais alto do pódio pela primeira vez na categoria elite, e Jenny Rissveds, sueca, confirmou que está num momento diferente ao conquistar sua segunda vitória consecutiva na modalidade. As corridas aconteceram sob condições adversas, com uma chuva intensa que complicou a leitura de ritmo e as escolhas táticas ao longo do percurso.
Como Riley construiu a primeira vitória na elite
No masculino, a corrida foi decidida nas voltas finais. Riley esperou o momento certo para atacar e conseguiu abrir espaço sobre Adrien Boichis e Chris Blevins, que completaram o pódio. O ataque final foi o ponto de virada: até aquele momento, o grupo da frente estava junto e qualquer um dos três tinha condições de vencer. A vitória de Riley tem peso simbólico além do resultado em si, porque marca a chegada de um nome jovem ao topo da elite mundial num curto espaço de tempo.
Boichis, mesmo terminando em segundo, saiu de Andorra na liderança da classificação geral da Copa do Mundo, o que mostra a consistência que ele vem construindo ao longo da temporada. A disputa pelo globo de cristal segue aberta, mas o francês agora tem a vantagem de largar na frente nas próximas etapas.
Rissveds domina o Short Track sob a chuva
No feminino, a chuva que caiu durante a prova tornou o circuito mais imprevisível, mas Rissveds soube administrar a situação melhor do que as rivais. Ela atacou na última volta e cruzou a linha em primeiro, repetindo o que havia feito na etapa anterior. Duas vitórias seguidas no Short Track é um dado que não passa despercebido: indica que a sueca encontrou uma forma de correr essa modalidade que as concorrentes ainda não conseguiram neutralizar.
Para quem acompanha o MTB de perto, ver Rissveds nesse nível de consistência tem um significado a mais. Ela é uma das atletas que passou por um período longo fora das competições por questões de saúde mental, voltou ao pelotão e foi construindo resultados aos poucos. Chegar a 2026 vencendo provas seguidas na Copa do Mundo é o tipo de trajetória que vale ser contada com calma.
Os brasileiros em Andorra
No masculino, Alex Junior Malacarne terminou em 25º lugar, a 44 segundos do vencedor, e Ulan Bastos Galinski cruzou a linha em 35º, a 1 minuto e 15 segundos de Riley. No feminino, Giuliana Salvini Morgen foi a melhor representante do Brasil, em 36º, com Raiza Goulao Henrique logo atrás, em 38º. Na categoria Sub-23 feminino, Gabriela Pereira Ferolla terminou em 32º lugar. Os resultados mostram que o grupo brasileiro está presente e completando as provas no pelotão principal da Copa do Mundo, ainda que distante do top-10, o que por si só já é um termômetro útil do nível de exigência do circuito.
O que fica de Andorra e o que vem pela frente
Andorra encerra sua etapa de Short Track com dois resultados que movimentam a classificação geral: Boichis na liderança masculina e, no feminino, a situação de Rissveds no ranking acumulado ainda precisa ser confirmada com os dados completos da tabela. O circuito de Andorra é historicamente exigente, com altitude e trechos técnicos que costumam separar os corredores de forma mais clara do que em outras etapas, o que dá ainda mais valor às vitórias desta rodada.
A temporada de Copa do Mundo segue com as próximas etapas já no calendário. Para o ciclismo brasileiro, acompanhar de perto como a classificação geral evolui importa porque define quais atletas chegam às etapas finais com mais pressão e quais têm margem para arriscar. O cenário internacional ajuda a calibrar o nível de referência para quem compete ou treina cross-country no Brasil.
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