Rossi, Wellyda e Avancini: o Campeonato Brasileiro de Estrada 2026 teve de tudo em Brasília

O Campeonato Brasileiro de Ciclismo de Estrada 2026 terminou no fim de semana de 28 e 29 de junho em Brasília, no circuito montado no Parque Burle Marx, e entregou um conjunto de resultados que vale a pena entender como um bloco, não como resultados soltos. Foram disputadas provas de contrarrelógio e de resistência nas categorias Elite e Sub-23, masculino e feminino, e o evento foi elogiado pelos próprios atletas pela organização, algo que nem sempre é garantido no calendário nacional.
Na prova de resistência masculina Elite, o título ficou com João Pedro Rossi, da Localiza Meoo-Swift Pro Cycling, ciclista de 26 anos nascido em Ribeirão Preto. Ele completou as 21 voltas do circuito de 8,9 km, totalizando 189,6 km, em 4h27min11s, e cruzou a linha de chegada sozinho depois de atacar na última volta. A estratégia foi a mesma que ele havia usado no domingo anterior, na Copa das Confederações: entrar na fuga certa, poupar energia enquanto a equipe controla o pelotão e escolher o momento exato para abrir. Com dez ciclistas no grupo da Localiza Meoo-Swift, usou uma estratégia de ditar o ritmo e desgastar os adversários antes do ataque decisivo. Muitos apostavam em Henrique Avancini, o que fez outras equipes marcá-lo, enquanto a equipe Localiza-Meoo-Swift se organizou numa fuga. Dos 100 ciclistas que largaram, apenas 33 completaram a prova, o que diz bastante sobre o nível de exigência da corrida.
Thiago Nardin chegou em segundo, a 17 segundos, e Henrique Avancini fechou o pódio em terceiro. Avancini, aliás, já havia conquistado o título de contrarrelógio individual masculino Elite na quinta-feira anterior, ao lado de Andrey, que levou a categoria Sub-23 masculina no mesmo formato de prova. Para Rossi, é o primeiro título nacional de estrada, que se soma ao campeonato brasileiro de contrarrelógio Elite de 2025 e ao título Sub-23 de contrarrelógio de 2021. A trajetória dele dentro do ciclismo nacional tem sido consistente, e esse resultado confirma que ele chegou a um nível diferente.
Algo interessante foi que a bicicleta Swift ocupou as 3 primeiras colocações no pódio do contrarrelógio e resistência masculino. O Nardin, apesar de não ser da mesma equipe, também estava com uma Swift Racevox.
No feminino, a prova de resistência Elite foi decidida no sprint, com vitória de Wellyda Rodrigues, da ABEC-Rio Claro. A prova Sub-23 feminina ficou com Mayra da Costa e Silva, depois de 133,5 km de corrida. No contrarrelógio feminino, Tamires Radatz venceu na Elite e Raica Niquelatti foi a mais rápida na Sub-23. Na resistência masculina Sub-23, o título foi de Matheus Constantino. [HYLDON: confirmar equipes de Wellyda, Mayra, Tamires, Raica e Matheus Constantino para completar o contexto de cada campeã/campeão]
Outro destaque dessa edição do Brasileiro além do contexto em torno da prova foi o que Rossi mencionou explicitamente: que foi o Campeonato Brasileiro mais bem organizado de que participou, destacando a transmissão ao vivo como um diferencial. Quem acompanha o ciclismo nacional há algum tempo sabe que isso não é detalhe: a falta de visibilidade das provas nacionais sempre foi um entrave para o desenvolvimento do esporte no país. Uma transmissão que funciona e valoriza os atletas é o primeiro passo para atrair patrocinador, formar público e dar sustentabilidade ao calendário.
Do ponto de vista esportivo, o Brasileiro 2026 também reforça o peso crescente das equipes estruturadas dentro do pelotão nacional. A Localiza Meoo-Swift dominou a corrida masculina com superioridade de grupo, algo que exige investimento real em logística, preparação e número de atletas.
O ciclismo de estrada volta a crescer, ganhar visibilidade, investimento, e nós do Pedalando Junto vamos acompanhar tudo isso.
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