Se você anda de bicicleta no Brasil e ainda não foi ao Shimano Fest, já passou da hora. O evento existe desde 2010, cresceu de forma quase absurda ao longo dos anos, e em 2026 vai acontecer de novo: 20 a 23 de agosto, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Entrada gratuita.
Mas antes de falar da edição que vem aí, vale a pena entender como chegamos até aqui. Porque a história do Shimano Fest é, na prática, a história do crescimento do ciclismo no Brasil.
Em 2009, a Shimano Latin America organizava uma prova de MTB chamada Shimano Short Track. O evento era de competição, mas o público era pequeno. O presidente da empresa, Fabio Takayanagi, fez uma pergunta direta para a equipe: como a gente atrai mais gente para uma competição de bicicleta?
A resposta foi simples na teoria e trabalhosa na prática: parar de fazer só competição e criar um festival. Um evento que misturasse corrida de MTB, exposição de produtos, test-ride de bicicletas e atividades para famílias. Algo que qualquer pessoa pudesse ir, mesmo que nunca tivesse subido numa bike de 29 polegadas na vida.
Em 2010, a primeira edição do Shimano Fest aconteceu em Santana de Parnaíba, interior de São Paulo. Compareceram cerca de 1.700 pessoas. Na época, era considerado um sucesso.
No ano seguinte o evento se mudou para a Fazenda ASW Off-Road Park, em Mogi das Cruzes. O ambiente era perfeito para MTB: trilhas, área verde, lagoas. Nos três anos ali, o evento saiu de 5.000 visitantes para mais de 9.000.
Em 2013, a competição de XCE já reunia atletas latinos e o número de marcas expositoras havia chegado a 55, com crescimento de 22% de um ano para o outro. O conceito estava funcionando.
A quinta edição mudou de endereço mais uma vez, dessa vez para o Parque das Águas, em Sorocaba. O evento cresceu 45% em público em relação a 2013, reunindo cerca de 13.000 visitantes e movimentando R$ 2,8 milhões em negócios.
Mas o legado mais lembrado de 2014 não foi nenhum lançamento de produto. Foi o Protocolo de Sorocaba: um documento assinado por empresas privadas, autoridades e organizações da sociedade civil com compromissos concretos para ampliar a mobilidade urbana por bicicleta no Brasil. O Shimano Fest já era grande o suficiente para pautar política pública.
Com crescimento consistente, o evento foi para o Jockey Club de São Paulo e ficou lá por três anos. Os números subiam a cada edição:
Foi nesse período que os test-rides de e-bikes ganharam espaço no evento. O mercado de bicicletas elétricas ainda engatinhava no Brasil, e o Shimano Fest virou vitrine para quem queria experimentar sem precisar comprar.
Em 2018 veio a mudança que ficou. O Shimano Fest foi para o Memorial da América Latina, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. A estrutura maior e a localização central fizeram diferença imediata: 30.600 pessoas em apenas três dias, crescimento de 20% comparado ao melhor resultado anterior.
Desde então, o Memorial é o endereço fixo do evento. A infraestrutura do local ajuda a comportar o formato híbrido que o Shimano Fest consolidou ao longo dos anos: dois dias de feira de negócios para profissionais do setor, seguidos de dois dias de festival aberto ao público.
A décima edição aconteceu de 22 a 25 de agosto de 2019. Foram 42.500 pessoas em quatro dias e 4,5 toneladas de alimentos arrecadados para doação. O evento estava no melhor momento da história quando o mundo parou.
Em 2020 o Shimano Fest foi cancelado. A edição chegou a ser adiada de agosto para dezembro, mas o agravamento da pandemia tornou inviável qualquer evento presencial.
Em 2021 a solução foi ir para o digital. A primeira edição online do Shimano Fest reuniu mais de 35 marcas e manteve o formato de dois dias: um exclusivo para profissionais e um aberto ao público, sem inscrição necessária. Foi um experimento necessário, mas todos sabiam que o evento nasceu para acontecer ao vivo.
Com o retorno presencial em 2022, o mercado reprimido de dois anos se manifestou em público. O evento foi tomado, com cerca de 48.000 visitantes e 220 marcas expositoras. Depois disso, os números foram só crescendo:
O volume de negócios praticamente dobrou entre 2023 e 2025 em dois anos, mesmo com o público estabilizado em torno de 50.000 pessoas. O que muda não é só o número de visitantes, é a qualidade e o volume das transações comerciais que acontecem ali.
Em 2024, o Shimano Fest recebeu pela primeira vez uma etapa da Copa do Mundo UCI de Cross-Country Eliminator. A pista montada no Memorial atraiu atletas de 17 países. Ede Molnar, campeão europeu da Romênia, disse na época que ficou surpreso com a estrutura do evento e o entusiasmo dos brasileiros pelo ciclismo.
Em 2025, a Copa do Mundo voltou, dessa vez com atletas de 12 países. Os resultados dizem tudo sobre o nível:
O Brasil sediando etapa de Copa do Mundo de MTB é, por si só, uma virada histórica. E o Shimano Fest foi o palco.
Além das competições, o Shimano Fest tem um formato que funciona para quem é atleta, para quem é entusiasta e para quem nunca andou em MTB na vida:
A 16ª edição do Shimano Fest acontece de 20 a 23 de agosto de 2026 no Memorial da América Latina. O formato segue o mesmo dos últimos anos:
O evento já está no calendário oficial da Cidade de São Paulo. Inscrições para o público geral são feitas diretamente pelo aplicativo Shimano Fest, disponível para download. Cada adulto precisa criar uma conta com email único.
O que vai ter de novo ainda não foi divulgado oficialmente, mas as últimas edições dão o roteiro: pelo menos uma novidade relevante em componentes Shimano, dezenas de lançamentos de marcas brasileiras e internacionais, e provavelmente mais uma competição de alto nível para animar o fim de semana.
Quinze anos de evento, Memorial da América Latina lotado e R$ 76 milhões em negócios. A conta tá feita. Se você anda de bike, esse é o evento do ano.
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