
O Tour de France 2026 perdeu um de seus protagonistas no domingo, 19 de julho. Jonas Vingegaard, bicampeão da prova e principal rival de Tadej Pogačar, sofreu uma queda violenta nos quilômetros finais da etapa 15 e foi obrigado a abandonar a corrida. O diagnóstico da equipe Visma-Lease a Bike confirmou fratura na clavícula direita, que exigirá cirurgia nos próximos dias.
Vingegaard estava na segunda colocação geral, a 4min30s de Pogačar, e buscava reagir na chegada ao Plateau de Solaison, uma montanha de categoria especial que prometia definir a briga pelo título. Mas a queda a cerca de 19 km da meta, em uma curva fechada à direita, interrompeu a trajetória do dinamarquês. Ele foi o primeiro a cair; outros ciclistas, como Sepp Kuss e Isaac del Toro, também foram ao chão, mas conseguiram continuar.
A queda e o momento da saída
Imagens mostram Vingegaard sentado no asfalto, segurando o ombro direito, enquanto o carro médico se aproximava. Ele entrou na ambulância com uma tipóia e foi levado ao hospital. A equipe Visma-Lease a Bike divulgou que a fratura na clavícula é grave e que a cirurgia será realizada nos próximos dias. O próprio Vingegaard, em entrevista ao canal dinamarquês TV2, disse: “Estou surpreendentemente bem. É claro que é muito decepcionante ser forçado a sair assim, mas isso é o ciclismo. Felizmente, é só uma clavícula quebrada.”
O abandono encerra uma sequência impressionante: desde 2021, Vingegaard sempre ficou entre os dois primeiros do Tour. Agora, a prova segue sem o principal adversário de Pogačar, que caminha para o quinto título.
O que provocou o acidente? Antidoping?
Várias hipóteses surgiram. Uma moto da TV que estava à frente do pelotão teria travado ou mudado de trajetória de repente, segundos antes da queda. Além disso, a noite anterior foi perturbada: Vingegaard e Pogačar foram acordados às 2h da manhã para um teste antidoping, o que, na opinião do esloveno, pode ter tirado a concentração do dinamarquês. “Quando seu sono é arruinado, talvez você esteja um pouco menos concentrado na descida”, disse Pogačar, classificando o horário do teste como “desumano”.
Vingegaard, porém, não jogou a culpa em ninguém. “A moto talvez tenha cometido um erro, mas não podemos depender das motos. Entramos na rotatória um pouco rápido demais e a roda dianteira escapou. Não deu tempo de fazer nada. É uma pena enorme, para ser honesto.”
O que muda daqui para frente
Com a saída de Vingegaard, a classificação geral ganhou um novo nome na segunda posição: Remco Evenepoel, que venceu a etapa 15 ao superar Pogačar no sprint final. O belga agora é o vice-líder, mas a diferença para o esloveno aumentou para mais de seis minutos depois da vitória com bônus. A briga pelo pódio está aberta, mas a disputa pela amarela, praticamente, já se encaminhou para a quinta vitória de Pogačar.
Para o ciclismo brasileiro, a notícia é recebida com apreensão. Vingegaard era um dos nomes que mais movimentavam a audiência nas transmissões por aqui, especialmente pela rivalidade intensa com Pogačar, que já rendeu duelos memoráveis. Sem ele, o restante do Tour perde um pouco daquela emoção de ver dois gigantes se enfrentando a cada montanha.
Jonas Vingegaard deve voltar para a Dinamarca nos próximos dias para a cirurgia. O calendário de recuperação ainda não foi divulgado, mas uma fratura de clavícula costuma exigir de seis a oito semanas de afastamento, o que coloca em risco sua participação na Vuelta a España, em agosto. A temporada de 2026, que começou cheia de expectativas após o Giro e a Vuelta vencidos por ele em anos anteriores, agora ganha um ponto de interrogação.
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