A gente acompanha a Sense há um bom tempo. Quando vem geração nova, sempre fica aquela dúvida: é só uma refinada na geração passada, ou veio coisa séria? Com a Invictus G3 que a Sense lançou agora, a resposta veio rápida. E veio diferente.
Em vez de pegar um quadro pronto de fornecedor asiático e colar a própria logo, a Sense desenvolveu o quadro junto com a Faction Bike Studio, no Canadá. Aquele estúdio que faz projeto pra marca grande lá fora. É outro patamar de conversa.
A premissa muda quando você projeta do zero
Bike de XC de alto rendimento não nasce do acaso. Vem de decisão. E nesse projeto a Sense bancou cada decisão. Do layup da fibra ao dropout, do tubo de cabeça ao porta caramanhola. Cada peça com rastro técnico que dá pra explicar.
No papel, os números impressionam. Quadro de 1.420 g sem amortecedor. 31,6% mais rigidez na caixa de direção. Cinemática com anti squat de 95 a 100%. Pra quem rola XC sério ou maratona técnica, essas linhas importam quando a perna pede e o terreno cobra.
Inventa. Insiste.
O que a G3 ganhou em cima da G2
A G2 não era ruim. Pelo contrário, ganhou três edições do Guidão de Ouro. Mas a G3 não é uma G2 melhorada. É um projeto novo, com premissas novas. Comparando as duas, dá pra ver o salto:
| Item | Invictus G2 | Invictus G3 |
|---|---|---|
| Peso do quadro (sem shock) | ~1.590 g | 1.420 g (−11%) |
| Rigidez do headtube | Baseline | +31,6% |
| Anti squat | ~85% | 95 a 100% |
| Layup de carbono | Padrão de fornecedor | SSL, The Carbon X (blend Mitsubishi) |
| Movimento central | BSA / PF30 | T47 rosqueado |
| Dropout | Padrão dedicado | UDH |
| Stack do headtube | Convencional | Zero Stack |
| Porta caramanhola | Suporte convencional | CID by Fidlock© |
Cada linha da tabela é uma decisão de engenharia bancada. Pra quem mexe e faz manutenção, o T47 sozinho já vale a viagem. Acabou aquela história de PF30 começando a ranger depois de seis meses. UDH também é ouro, qualquer ciclista que já quebrou gancheira em queda sabe a dor que é achar peça específica.
A G3 R1 já tá em mãos
Pra contextualizar pra você que tá lendo. Minha bike de XC hoje é a Invictus G2 Factory. Continuo com ela, continuo gostando muito. E a G3 também já tá comigo. A nova família chega às lojas em três configurações: Black Edition, R1 e EVO. A que tá comigo é a R1, com o novo XTR eletrônico, suspensão FOX Factory com Kashima na frente e atrás, canote retrátil, rodas Mavic Crossmax em carbono e cockpit todo em carbono FSA. Ficha que não deixa nada na mesa.
Uma observação. A Sense costuma trabalhar suas linhas com mais que três degraus. Os nomes Comp e Sport aparecem em várias famílias da marca como configurações mais acessíveis da mesma plataforma, é cultura da casa. Por isso, minha aposta é que essas três (Black Edition, R1 e EVO) são a estreia, e que nos próximos dias devem chegar também a Comp e a Sport completando a família G3. Vamos acompanhar e confirmar.
A G2, pra mim, sempre se comportou mais como downcountry do que XC pura. Sobe firme, mas é descendo que ela brilha. Tem gente que chama de “trail fast” no boca a boca, mas o termo que pegou no meio foi mesmo downcountry. A G3 vai na direção contrária. É XC sem disfarce, projetada pra pista de campeonato. Anti squat mais agressivo, headtube mais rígido, peso lá embaixo. Duas filosofias diferentes, mesmo nome de família.
O que vem por aí no canal do YouTube
Aqui no Pedalando Junto comparação é tradição. Os próximos vídeos no canal já estão no forno:
- Apresentação completa dos três modelos da Invictus G3 que já chegaram nas lojas da rede S2 Bike Shop: Black Edition, R1 e EVO. Componente por componente, ficha por ficha, pra você saber exatamente o que vem em cada configuração antes de pisar na loja.
- Comparativo das novas Invictus com os melhores modelos de XC do mercado global hoje. Especificação e geometria lado a lado, pra entender onde a G3 se posiciona nessa briga. Tubos, ângulos, reach, stack, tudo na mesa.
Segue o canal do Pedalando Junto no YouTube pra não perder.
Pra quem já tá curioso sobre o lado técnico, a gente abriu o capô da Invictus G3 em um artigo separado: tabela completa de G2 vs G3, geometria explicada ponto por ponto e os três modelos (Black Edition, R1 e EVO) com a especificação inteira lado a lado.
The Carbon X e o detalhe do roteamento
A Sense batizou o blend de carbono Mitsubishi que entra na G3 de The Carbon X. São duas ligas de alta densidade, HR40 e MR60H, posicionadas pra reduzir peso sem perder rigidez no lugar certo. O nome próprio veio porque vai ser a assinatura do topo da linha daqui pra frente. Eles chamam de SSL, Signature Structural Layer.
Tem outro detalhe que ciclista de prova nota. Mesmo no roteamento por dentro do quadro, o cabo do lockout vai pelo caminho mais direto possível, ligando o amortecedor direto no comando do guidão. Lockout responde mais firme e o mecanismo fica protegido de poeira e lama. Pequeno na descrição, grande na prova.

Avancini e Rubinho já rodaram
A bike foi testada e validada por Henrique Avancini e Rubinho Valeriano, dois caras que precisam confiar de olho fechado no equipamento. Quando o Avancini fala que algo é bom, é porque é. Ele já rodou tudo que existe de top no mundo. O que cada um falou:
A Invictus G3 entrega um controle de pilotagem imediato e representa o maior salto de qualidade e desenvolvimento que já observei em uma marca. Como alguém que já testou as principais e melhores plataformas do mundo, posso afirmar que a G3 está entre as bikes mais surpreendentes e competitivas que já pedalei, sendo, certamente, uma das melhores da atualidade.
Henrique Avancini

Senti a diferença logo na primeira subida técnica. A bike responde instantaneamente. Ter uma máquina desse nível, desenhada aqui e pensada para o nosso estilo de pilotagem, muda o jogo para o ciclismo brasileiro.
Rubinho Valeriano


Por que isso importa pra gente
Tem um lado dessa história que ninguém comenta muito. Quando uma marca brasileira coloca a mão na engenharia, em vez de só comprar quadro pronto, ela cria escola. Forma gente que aprende a projetar. Os nossos atletas começam a treinar com equipamento pensado pro terreno daqui. E ciclista amador, lá na ponta, tem onde achar peça na hora de trocar (T47 e UDH são standards abertos, qualquer mecânico encontra).
A Sense bancou o investimento. O CEO da S2 e o fundador da marca falaram do risco:
A G3 marca não apenas nossa independência, mas um marco na indústria brasileira da bicicleta. Investir em um projeto tão complexo, com engenharia própria e em colaboração com a Faction, foi uma decisão de alto risco, mas necessária para reafirmar a SENSE como um player global.
Pierre, CEO da S2 Indústria da Bicicleta
‘Invencível por Decisão’ resume o projeto: nada na G3 existe por default. Cada ângulo e cada fibra foi defendido por um time de alta engenharia. Estamos entregando mais que uma ferramenta que destrava a autoconfiança do piloto, mas também um símbolo de que a indústria nacional tem capacidade de competir com qualquer marca de outros países.
Henrique Ribeiro, fundador da SENSE Bikes
A linha é sua
O lema da campanha é bonito e diz tudo: o desenho é nosso, a linha é sua. A Sense fez a parte dela. Agora é botar pra rodar e ver no que dá. A gente vai acompanhar e contar pra vocês como a bike se comporta no terreno de verdade. Quem já pedalou ou for pedalar nos próximos dias, manda relato pelo Instagram do Pedalando Junto.
O desenho é nosso. A linha é sua.


