O mapa: o que as bikes atuais fazem
A gente conferiu modelo por modelo, na página da marca e em pelo menos um teste, e só anotou o que alguma fonte descreve em texto. Onde a posição só aparece na foto, está dito. As gerações são as vendidas em setembro de 2026.
| XC e downcountry | Amortecedor | Pivô traseiro |
|---|---|---|
| Specialized Epic 8 e 9 | Sob o top tube, rocker e yoke, olhal 190x45 | Flex stay (single pivot) |
| Scott Spark RC 2027 | Horizontal no fundo do down tube, integrado, link concêntrico ao BB | Flex stay (single pivot) |
| Scott Spark 2022 a 2026 | Vertical dentro do seat tube, invertido, trunnion | Flex stay (single pivot) |
| Trek Supercaliber Gen 2 | Strut estrutural preso nas duas pontas ao top tube | Seatstays sem pivô |
| Trek Top Fuel Gen 4 | Trunnion; posição não descrita em texto | Concêntrico (ABP) |
| Cannondale Scalpel | Sob o top tube escavado, rocker curto, 190x45 | Flex no chainstay (Horst virtual) |
| Orbea Oiz 2026 | Sob o top tube, link pequeno acionado por placa forjada | Flex stay (single pivot) |
| Canyon Lux World Cup 2026 | No top tube, acionado por yoke, 210x55 | Flex stay (single pivot) |
| Santa Cruz Blur 5 | Só por foto | Flex stay (single pivot) |
| Giant Anthem Advanced SL | Horizontal semi-integrado sob o top tube, 210x50 (era vertical) | Flex stay (single pivot) |
| Pivot Mach 4 SL 2026 | Vertical, 190x45 | Triângulo rígido, links curtos (dw-link) |
| Mondraker F-Podium | Baixo e central, flutuante entre os links, trunnion 165x45 | Triângulo rígido, links curtos (Zero) |
| Lapierre XR 2027 | Vertical, enterrado na região do BB | Flex stay (single pivot) |
| Yeti ASR | No top tube, rocker de alumínio, curso de 40 mm | Flex stay (single pivot) |
| Cervélo ZFS-5 | Sob o top tube, link superior de alumínio | Flex stay (single pivot) |
| BMC Fourstroke 01 | Horizontal sob o top tube (era vertical) | Triângulo rígido, links curtos (APS) |
| Rocky Mountain Element | Horizontal contra o top tube, olhal 190x45 | Flex no lugar do pivô do chainstay |
| Norco Revolver Gen 4 | Olhal 190x45; posição só por foto | Flex stay (era Horst) |
| Ghost Lector FS | Vertical à frente do seat tube, invertido | Triângulo rígido, links curtos |
| Trail | Amortecedor | Pivô traseiro |
|---|---|---|
| Trek Fuel EX Gen 7 | Vertical, olhal inferior em suporte removível com flip chip | Concêntrico (ABP) |
| Santa Cruz Tallboy 6 | Vertical, trunnion 185x50 (o VPP baixo saiu) | Horst |
| Specialized Stumpjumper 15 | Sob o top tube, link de extensão sobre rolamentos (o braço lateral saiu) | Horst |
| Scott Genius | Vertical integrado na junção seat tube e down tube, invertido, trunnion | Horst |
| Yeti SB120 e SB140 | Horizontal sob o top tube, extensor | Switch Infinity (pivô translacional) |
| Pivot Trailcat | Vertical | Triângulo rígido, links curtos (dw-link) |
| Giant Trance X | Vertical, trunnion 185x52,5 | Triângulo rígido, links curtos (Maestro) |
| Canyon Spectral | Horizontal sob o top tube | Horst |
| Transition Smuggler | Olhal padrão 210x50 | Horst |
| Norco Optic | Baixo, entre o link e o topo do down tube, invertido, trunnion | Horst com pivô principal alto e idler |
| Norco Fluid FS Gen 3 | Vertical (descrito na geração anterior) | Horst |
| Cannondale Habit | Horizontal, yoke extensor, olhal 210x50 | Horst |
O que o mapa diz sem precisar de estatística: no XC de 2026, o amortecedor sob o top tube com flex no seatstay virou o padrão, e as duas exceções que vão para baixo, Scott e Lapierre, são as duas mais novas. No trail, o vertical com Horst ou pivô concêntrico domina, e as duas mudanças recentes de arquitetura, Tallboy e Fuel EX, foram para o vertical. Quem migrou de vertical para horizontal foi a Giant, no XC, e quem migrou de horizontal para vertical foi a Pivot, no trail e no enduro. Não existe tendência única; existe cada marca resolvendo a própria embalagem.
E as marcas brasileiras
Como no guia de cinemática, a gente só usou material oficial: site, ficha ou matéria da própria marca. Vale dizer que Oggi Big Wheel, Audax Auge e Groove Riff, que apareceram na lista de pesquisa como full, são hardtails; as full dessas marcas são a Cattura, a FS 900 e a Slap.
| Marca e modelo | Pivô traseiro | Amortecedor |
|---|---|---|
| Sense Invictus G3 | Não declara | A única que descreve a posição: “o posicionamento horizontal do shock aumenta a sensibilidade e simplifica a manutenção”; 190x40 |
| Sense Invictus G2 | “Tecnologia Flex Stays”, sem dizer onde flexiona | Trunnion 165x40 |
| Sense Exalt E-Trail | “Cinemática Horst Link” | 210x55, posição não declarada |
| Caloi Elite Carbon FS | “Sistema Single Pivot” | Fox Float SL 190x37,5 com remoto, posição não declarada |
| TSW Full Quest | “Horst-link” | SIDLuxe, posição não declarada |
| TSW All Quest | “Short Link 4-Bar (VPP)” | Trunnion, 205 mm |
| Audax FS 900 | Não declara (a FS Alumínio de 2021 falava em “Virtual Pivot”) | Trunnion 165x40; a matéria de 2020 cita a “base situada ao centro do quadro” |
| Groove Slap | A página de 2026 diz “Split Pivot”, com o pivô alinhado ao eixo; a da geração anterior dizia “Monopivô de 4 pontos” | SIDLuxe 190x45, posição não declarada |
| Oggi Cattura | Não declara | Só marca e modelo |
| Soul Volcano | Não declara; cita “pivôs da balança posicionados estrategicamente” | Não declara |
Uma marca descreve onde o amortecedor fica e por quê. Três declaram trunnion. Duas contradizem a si mesmas ou não dizem onde o flex acontece. Como a gente viu ao longo da série, isso não é defeito só daqui: Specialized e Scott também não nomeiam a arquitetura na página do produto. A diferença é que, para as importadas, existe uma imprensa técnica que abre a bike e escreve. Para as nossas, ainda não.
Como olhar para uma full sem se enganar
- A posição do amortecedor não diz como a bike pedala. Diz o que sobrou de espaço para garrafa, canote e perna, e o quanto o quadro precisou ser reforçado. Para pedalada e freio, olhe os pivôs. É a parte 1.
- Centro de gravidade baixo é ganho pequeno e vendido como grande. Dois milímetros no conjunto, treze na bike sozinha. O que o arranjo baixo entrega de verdade é embalagem. A conta está no fim da parte 1.
- Invertido não é problema, escondido é trabalho. Nenhum manual proíbe a inversão. O amortecedor escondido custa acesso, leitura de sag e desmontagem, e a economia de manutenção é alegação da marca. Parte 2.
- Olhe como o amortecedor está preso, não só onde. Yoke longo e trunnion carregam o amortecedor com força que ele não foi feito para receber. Olhal nas duas pontas e link curto sobre rolamento é o que os fabricantes de amortecedor pedem. Também na parte 2.
- Flex stay pede a pergunta “flex onde?”. No seatstay é single pivot, no chainstay é Horst. E, seja qual for, o pivô traseiro é o que decide o que o freio faz com a suspensão. Parte 3.
De onde veio essa conversa
O mapa foi montado a partir da página de cada marca e de pelo menos um teste por modelo, citados nas partes anteriores. Alguns que valem a leitura direta:
- Giant: a Anthem Advanced SL e a troca do vertical pelo horizontal e Lapierre: a página do XR 2027
- Enduro-MTB: teste da Tallboy 2027 e Bike Magazin: por que a Santa Cruz deixou o VPP na Tallboy
- Flow: teste da Stumpjumper 15 e Pinkbike: teste da Transition Smuggler
- Bike Perfect: teste da Norco Optic e MBAction: o lançamento da Scott Spark RC 2027
- Sense: a página da Invictus G3 Pro, a única marca brasileira que descreve a posição do amortecedor
