A pergunta mais repetida na caixa de comentários do canal, em seis anos, é uma só: qual é o melhor ciclocomputador? Em 2020 eu gravei um vídeo respondendo com uma frase que continuo assinando: o melhor é o que atende a sua necessidade dentro do seu orçamento. O aparelho mais caro e mais cheio de função não é o melhor pra quem não vai usar a função. Só que aquele vídeo tinha um Garmin 530 e um Atrio Titanium na mão, e a prateleira de 2026 é outra. Então vamos refazer a resposta com os aparelhos de hoje.
O método é o mesmo de sempre: eu leio qualquer ciclocomputador em cinco eixos, o básico, a navegação, o treino e desempenho, a segurança e a conexão. O que muda de perfil pra perfil é qual eixo pesa. E antes de qualquer marca, uma pergunta que muita gente pula.
Você precisa de um ciclocomputador?
Se tudo que você quer é saber distância, velocidade e o caminho que fez, o celular faz. Mas tem três custos escondidos. O celular com GPS ligado gasta bateria muito mais rápido que o normal, e você pode ficar sem telefone justamente no lugar em que precisa dele. O celular no bolso não te mostra nada em movimento, e no guidão vira o primeiro item a quebrar numa queda, porque não foi feito pra pancada. E o celular não conversa com sensor, radar e câmbio do jeito que o ciclocomputador conversa. Se algum desses três te incomoda, continua lendo.
Perfil 1: saindo do celular, ou do velocímetro de fio
Aqui pesa o eixo 1 e mais nada: uma tela que se leia no sol, bateria de esquecer, GPS que pegue rápido, e o pedal indo pro Strava sozinho. Mapa, rota e treino não entram na conta ainda.
Os candidatos são os aparelhos de entrada da iGPSPORT, que eu testei: o BSC100S, com tela de 2,6 polegadas em preto e branco, 40 horas de bateria e 67 gramas, e o irmão de 2026 que eu ainda não testei, o BSC100Max, com tela de 3 polegadas pelo mesmo peso e a mesma bateria. Os dois pareiam cinta cardíaca, cadência e até medidor de potência. Na Lobão Bikes, importadora oficial, o BSC100S sai por R$ 448 num kit com capa e suporte (não vende sozinho) e o Max, sozinho, por R$ 463, preços de 05/09/2026. O Bryton Rider 460 é a alternativa com mais função no mesmo degrau: tela monocromática de 2,6 polegadas, 58 gramas, 32 horas, e já segue rota com aviso de virada e recalcula no aparelho, mas a Bryton não tem venda oficial no Brasil. E o Atrio New Titanium continua sendo a opção com app em português e garantia nacional, com 22 horas de bateria declaradas e 90 gramas, mesmo hardware do iGPSPORT iGS618 antigo. Está tudo no guia da linha iGPSPORT.
Perfil 2: quem pedala em lugar que não conhece
Cicloturismo, viagem de bike, gravel de estradão novo toda semana. O eixo 2 manda: mapa embarcado de verdade, aviso de virada, recálculo quando você erra, e o perfil da subida na tela. Aqui a conversa muda de patamar, e o melhor negócio de 2026 está na iGPSPORT: o BSC500, que eu não testei, tem na ficha tela de 3,3 polegadas com toque, duas bandas de GNSS, mapa com recálculo e iClimb, 25 horas, por R$ 1.982 na Lobão. O BiNavi Air, lançado em janeiro de 2026, faz o mesmo com 77 gramas e 30 horas, por R$ 2.144. Quem quer mais bateria vai de iGS800, que eu testei e aprovei: 50 horas declaradas, tela de 3,5 polegadas, R$ 2.999.
Na Garmin, o aparelho deste perfil é o Edge Explore 2, feito só pra navegar: tela de 3 polegadas com toque, mapa da Garmin, ClimbPro, integração com e-bike, 16 horas. Em 05/09/2026 ele não aparecia na loja oficial da Garmin no Brasil. Ele abre mão do treino estruturado e dos segmentos, e tem GNSS de uma banda. Se você quer navegar e treinar no mesmo aparelho, o 840 ou o 850 são o caminho, e eu explico a diferença entre eles no guia dos Edge.
E tem o Hammerhead Karoo, a marca da SRAM, que eu tenho na gaveta desde a segunda geração: tela de celular de 3,2 polegadas, mapa e recálculo de referência, CLIMBER que avisa a subida mesmo sem rota, duas bandas, mas 15 horas de bateria, e sem venda oficial no Brasil. É o melhor navegador da lista e o que menos dura.
Perfil 3: quem treina com planilha
Eixo 3. Você precisa que o aparelho receba o treino do TrainingPeaks ou do app da marca, te guie bloco a bloco, controle o rolo inteligente e calcule TSS, potência normalizada, VO2 e carga. Quase todo aparelho de mapa faz isso hoje, então a escolha vira tela, bateria e ecossistema.
Na Garmin, o Edge 540 é o treinador de botão: 2,6 polegadas, 26 horas, duas bandas, treino estruturado, treino sugerido do dia, potência guiada e estamina, por R$ 3.869 na loja oficial da Garmin no Brasil. O 840 é o mesmo aparelho com toque, e estava sem estoque na loja oficial em 05/09/2026. Na Wahoo, o ELEMNT BOLT 3, que eu ainda não testei, é a aposta de 2025: tela de 2,3 polegadas, duas bandas, 20 horas, treino estruturado por mais de cem plataformas, mas sem venda oficial no Brasil. Na iGPSPORT, o iGS630S faz tudo isso por R$ 1.949, com 45 horas de bateria e o segmento ao vivo próprio (não o do Strava), e o iGS800 é a versão com tela grande. Se você treina e compete, os aparelhos com métricas de recuperação e treino sugerido (Garmin, iGPSPORT) tiram mais proveito dos seus dados que os que só mostram o número.
Perfil 4: mountain bike, enduro e prova
Aqui o eixo 1 volta a mandar, com um tempero: botão em vez de toque, aparelho pequeno e protegido, e GPS que não perca a curva. O Garmin Edge MTB é o único feito pra isso: 57 gramas, sete botões de borracha, gravação a 5 Hz na descida, perfis de enduro e downhill, timing gates e o suporte de top tube na caixa, por R$ 4.319 na loja oficial da Garmin. Eu uso, e é o meu Garmin de trilha. A alternativa com mais bateria e sem toque é o Edge 540. Na iGPSPORT, qualquer um com duas bandas segura o sinal na mata: iGS630S, BSC500 ou iGS800.
Perfil 5: ultra, bikepacking e prova de 24 horas
Bateria é o eixo inteiro. O COROS DURA, que eu não testei, é o aparelho mais comentado dos bikepackers por um motivo: 120 horas declaradas no modo GPS padrão, 70 com duas bandas, carga solar que rende até duas horas por hora de sol, 97 gramas, R$ 2.999 na loja da COROS Brasil. O mapa não tem nome de rua e o recálculo depende do celular, então é um navegador limitado. O concorrente na Garmin é o 1040 Solar, da linha anterior, que ainda se vende e ainda é o Garmin de bateria. O iGS800 e o iGS630S, com 50 e 45 horas, cobrem prova de 12 horas com folga.
Perfil 6: estrada e rodovia
Eixo 4 primeiro. Se você pedala em rodovia, o radar traseiro muda o pedal mais que qualquer outra função, e eu escrevi sobre o Varia depois de anos usando. Então a pergunta é: o aparelho aceita radar? Todos os Garmin, os Wahoo, os Bryton, o Karoo e os iGPSPORT a partir do BSC200S aceitam, e a iGPSPORT tem radar próprio. Depois vem a detecção de queda com aviso pro contato, que é ponto forte da Garmin (todos os Edge têm) e que a ficha da maioria das outras marcas não declara. Pra quem faz longão sozinho na estrada, é o critério que decide entre um Garmin e um concorrente igual no resto.
| Perfil | O que pesa | Testei e aprovo | Pela ficha, sem testar |
|---|---|---|---|
| Saindo do celular | tela, bateria, Strava | iGPSPORT BSC100S, Atrio New Titanium | BSC100Max, Bryton Rider 460 |
| Lugar desconhecido | mapa, recálculo, subida | iGPSPORT iGS800, Garmin 850 | BSC500, BiNavi Air, Edge Explore 2, Karoo |
| Treino com planilha | treino estruturado, métricas | iGS630S, iGS800, Garmin 850 | Edge 540 e 840, Wahoo BOLT 3 |
| Trilha e prova | botão, tamanho, GNSS | Garmin Edge MTB | Edge 540 |
| Ultra e bikepacking | bateria | iGS800 | COROS DURA, Garmin 1040 Solar |
| Estrada e rodovia | radar, detecção de queda | Garmin 850 com Varia | qualquer um com radar; Garmin pela queda |
Preços em real conferidos em 05/09/2026 na loja oficial de cada marca no Brasil: Garmin Brasil (Proparts), Lobão Bikes (importadora da iGPSPORT) e COROS Brasil, sempre o aparelho sozinho e o preço promocional quando havia. Bryton, Wahoo e Hammerhead não têm venda oficial por aqui. Preço muda; confira antes. Fichas completas no comparador de ciclocomputadores.
O que eu diria pra quem me perguntasse hoje
Se o orçamento é o menor possível, iGPSPORT: a linha inteira entrega mais por real que qualquer outra, e a Lobão Bikes dá nota e garantia. Se você quer o ecossistema mais completo, com detecção de queda, treino sugerido, Varia e app que fala com tudo, Garmin, e o 850 é o que eu uso. Se você é da SRAM AXS e navega muito, o Karoo é a extensão natural. Se bateria é obsessão, COROS. E se você ainda não sabe qual perfil é o seu, pedala mais um mês com o celular e presta atenção no que te faz falta. A resposta aparece no pedal, não na vitrine.
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